Tags

, ,

A pedagoga Dulcina Guimarães Rolim assume pela segunda vez a Secretaria de Educação com o desafio de vencer um dos mais delicados momentos da pasta, em que a população e a própria Justiça cobram da Prefeitura a ampliação da oferta de vagas em creches para o atendimento da demanda do município. Pela primeira vez, ela quantificou esse déficit identificado no último levantamento da Prefeitura. São pelo menos 250 crianças que se inscreveram nas unidades da rede municipal de ensino que estão sem vagas.

Ouça a entrevista: http://www.cruzeirofm.com.br/audios/15012013_dulcina.mp3

Para cobrir esse déficit e evitar novos processos judiciais contra a Prefeitura, a secretária diz que já iniciou uma mobilização junto às demais pastas para garantir a agilização das obras para a entrega das dez creches que atualmente estão em construção na cidade. Dulcina argumenta, no entanto, que o trabalho da Secretaria não deve se limitar a abrir novas vagas, mas principalmente de oferecer uma estrutura adequada para a educação e os cuidados com as crianças.

Professora de carreira, convidada para a Pasta pelo prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) com quem já tinha trabalhado no final dos anos 80, a atual secretária promete uma atenção especial para formação continuada e de valorização dos docentes da rede. Para os alunos que estão prestes a iniciarem o ano letivo em 2013, Dulcina garante que não haverá atraso na entrega de material escolar, como ocorrido no ano passado, e que a qualidade da merenda oferecida nas escolas da rede está garantida.

Dulcina Rolim foi a segunda a participar da série de entrevistas com o corpo de secretariado do prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), realizada pela rádio Cruzeiro FM (92,3 MHz) e jornal Cruzeiro do Sul. Confira abaixo a íntegra da entrevista.

Jornal Cruzeiro do Sul – Qual o diagnóstico que a senhora faz da educação pública em Sorocaba hoje?

Dulcina Guimarães Rolim – Para eu fazer um diagnóstico da educação em Sorocaba eu tenho que me reportar a minha história de vida como educadora. Eu tenho um trabalho em vários segmentos, desde a escola pública estadual e municipal, onde atuei como secretária da Educação, como particular, mas não me acho uma conhecedora plena, porque a cada momento é diferente. O processo histórico caminha muito rapidamente e agora existe uma reivindicação maior da população em relação à educação. Mas eu reputo a Sorocaba uma educação pública muito interessante. As escolas municipais têm uma trajetória que vem dos governos anteriores, que é de busca pela excelência. É claro que quando se trata de políticas públicas existe uma oscilação dos partidos políticos e da direção que os próprios secretários dão ao processo de educação. Agora que eu volto, 24 anos depois, fico muito gratificada por tudo o que estou observando na Secretaria da Educação. São pessoas muito entusiasmadas. Talvez a reclamação que façam seja por conta de que todo mundo quer participar de alguma forma, dando suas ideias. Como a escola pública deve ser laica, democrática, um espaço de construção coletiva, eu me vejo na contingência de estar ouvindo e administrando todos esses conceitos e ideários, estudar melhor e sistematizar. Meu sentido maior nas políticas públicas é voltar todos para a educação na escola, valorizar a formação de professores. Pretendemos fazer um programa de formação continuada, porque no momento em que você atende o professor em todas as suas necessidades e o valoriza, ele vai valorizar a escola, vai valorizar a participação dos pais e da comunidade e é isso o que nós todos queremos. Essa valorização do ambiente escolar e do professor vai ser a linha condutora de tudo. Também as parcerias com a outras secretarias, principalmente as que trabalham com a saúde, juventude, cultura, lazer, esporte, para que a escola mantenha ações que façam com que a comunidade a perceba como algo importante. E se essa escola é importante, ela vai preservar, vai valorizar mais esse conhecimento. Será o resgate da educação como um centro catalisador nas comunidades de todo esse conhecimento, do lazer, da corporeidade e da cultura. Esse é o eixo que eu tenho para tratar as políticas públicas.

JCS – A senhora está assumindo a Secretaria da Educação em um momento delicado em relação à falta de vagas em creches. Qual é hoje o déficit de Sorocaba de vagas e o que a senhora pretende fazer para atender essa demanda?

Dulcina – Nesse momento eu estou contando com uma pessoa de peso que vai nos dar suporte pedagógico e logístico, que é a professora Maria Inês Pannunzio (esposa do prefeito Pannunzio), que sempre gostou muito de trabalhar com creches e, no outro governo de Antonio Carlos Pannunzio, ela fez um trabalho interessante. Nós vamos sentar com os diretores das unidades, vou apresentar a professora Maria Inês e vamos estudar a questão desse déficit.

JCS – Já foi apurado qual é esse déficit de vagas?

Dulcina – Já existem alguns indicadores. Foi apurado que hoje 250 crianças estão fora das creches no momento. São crianças que se inscreveram e estão reclamando essa vaga. Agora nós vamos sentar novamente com esses diretores. Porque nós temos que dar vagas sim, mas não podemos colocar essas crianças em qualquer ambiente, pois são crianças pequenas e nós temos que ter um ambiente favorável, com o materiais próprios e professores. Não é simplesmente ir colocando as crianças e não ter qualidade, porque a qualidade pedagógica é algo muito importante na nossa visão e a professora Maria Inês Pannunzio também pensa dessa forma. Que a creche não seja simplesmente um amontoado de crianças, mas que tenha um atendimento pedagógico, humano, carinhoso, no convívio dessas crianças. Agora se colocar muitas num mesmo local, isso prejudica. O Plano Nacional de Educação prevê que todos os municípios do Brasil tenham o equacionamento da necessidade de vagas em creche resolvido até 2020. Sorocaba já está à frente, porque nós temos uma porcentagem pequena de crianças fora da escola. Porém, nós temos muitas creches que estão sendo preparadas, que estão sendo construídas para nós equacionarmos esse problema de falta de vagas. Existe um estudo que nós já fizemos em termos de demanda e ampliação habitacional em Sorocaba para prever creches para essas crianças que vão vir para cá. No momento que Sorocaba disparou essa avalanche de boas indústrias vindo para cá, o que é um atrativo para o pai trabalhador, nós temos que dar esse suporte. Essa é uma das nossas preocupações, não apenas dar atenção a essas crianças que estão fora no momento, mas também dar atenção àquelas que estão chegando.

JCS – O Ministério Público estabeleceu um prazo para que a Prefeitura atendesse essa demanda por creches em Sorocaba. Já houve algum contato com os promotores para estabelecer um novo prazo para o cumprimento dessa determinação?

Dulcina – Que eu saiba não existe nenhuma movimentação ainda. Me parece que a partir da segunda quinzena possa ocorrer. Esse processo que o Ministério Público moveu contra a Prefeitura tinha nomes de determinadas crianças e todas elas estão inseridas na escola. Eram mais de três mil nomes e nós equacionamos. Agora, o nosso desafio são essas 250 vagas que nós não conseguimos oferecer e que temos que equacionar. Nós pretendemos trabalhar para que seja resolvido ainda neste ano. Estamos para inaugurar muitas creches e a previsão é que a gente equacione. Mas temos a lucidez de entender que ao mesmo tempo proporcionamos creches, também vamos precisar aumentar. Isso é histórico no país. Dois governos atrás, o desafio era colocar todas as crianças de primeiro ano em diante na escola, o desafio foi vencido. O governo passado conseguiu colocar quase 100% das crianças de 4 a 5 anos na escola. Desafio quase vencido, existe uma parcela muito pequena na cidade de crianças de 4 a 5 anos fora na escola. Porém, nós temos vagas, é que às vezes as unidades não estão próximas às famílias, Então, o nosso desafio agora no governo Pannunzio é equacionar de fato. Nós estamos trabalhando seriamente nesse foco, nessa perspectiva e pretendemos atingir esse objetivo.

JCS – Sorocaba tem atualmente dez creches em construção e mais oito escolas estaduais, mas deixou de receber uma parcela de recursos da União e do Governo do Estado porque não terminou essas obras. A senhora pretende cobrar a agilização da conclusão dessas unidades?

Dulcina – Nós já estamos nos movimentando dentro da Secretaria, falando com o prefeito, com a Secretaria de Obras, de Negócios Jurídicos, para a gente agilizar isso. Porque realmente esse problema existe.

JCS – No ano passado, os estudantes da rede municipal só receberam o material escolar no final do primeiro semestre. O que será feito para isso não ocorra neste ano?

Dulcina – Assim que eu assumi a Secretaria, nós cuidamos primeiro dos problemas emergenciais, como creches, o kit escolar e a merenda. Em relação ao kit escolar, nós conseguimos equacionar e todas as crianças vão receber um kit inicial nos primeiros dias de aula. O material já foi adquirido e está tudo em ordem. Em relação à merenda, houve problemas em relação à empresa terceirizada, mas já está resolvido também. Já contatei as várias secretarias e conseguimos encontrar uma saída. Os problemas cruciais estão resolvidos.

JCS – Quais serão as prioridades da senhora neste primeiro ano de mandato?

Dulcina – A primeira etapa já foi cumprida, que foi ouvir todo mundo e pedir para que essas pessoas fizessem um organograma interno da Secretaria. Nós vamos fazer uma reestruturação interna para fluir melhor o trabalho. Num segundo momento, esses grupos vão fazer o plano de trabalho para 2013 e isso é que vai configurar o plano da Secretaria, com o foco e as ações voltadas para a escola. Mas esse primeiro ano, para mim pessoalmente, vai configurar como um momento de conhecimento mais profundo, de muita conversa, porque alguns programas particularmente terão que ser reajustados, algumas ações devem ser retomadas e vamos preparar o programa de formação continuada dos professores, que é o ponto mais enfático para a gente reverter um pouquinho esse sentido que os professores às vezes têm de que estão meio abandonados e na verdade não estão.

JCS – A senhora está voltando ao cargo de secretária da Educação depois de 24 anos. O que mudou esse período?

Dulcina – Naquele momento, como estavam vários segmentos juntos, como educação, lazer e parques, eu tinha que atender todas essas demandas e era difícil. Mas, por outro lado, a Secretaria da Educação naquele momento já ia razoavelmente bem. Tinham pessoas, como agora eu encontrei, que já estavam tendo aquela paixão por educar, do envolvimento com a escola pública. Agora tem um gigantismo, mas também houve um avanço muito grande. Aquele espírito de educação, de envolvimento, de criatividade, de responsabilidade, está lá presente ainda. Quando eu escolhi meus assessores, eu não trouxe ninguém de fora. Peguei pessoas que estavam ali já presentes. Porque são pessoas que conhecem a máquina e são pessoas envolvidas com a educação e querem o melhor.

JCS – O Cruzeiro noticiou na edição de hoje (ontem) matéria sobre as más condições do CEI-2 (Centro de Educação Infantil) da Vila Santana, a mais antiga de Sorocaba. Pais e moradores têm cobrado uma reforma da unidade para garantir maior segurança das crianças, o que até hoje não aconteceu. O que a senhora pretende fazer em relação a esse problema?

Dulcina – A reforma está em fase de projeto arquitetônico, que foi iniciado em novembro, e é uma das preocupações da Secretaria. O novo prédio, com base no primeiro projeto que já foi apresentado, terá uma praça, com frente recuada, para valorizar a região da Vila Santana. Vai ser um projeto muito bonito e os pais vão ficar satisfeitos com o resultado, vai valer a pena esperar um pouquinho.

JCS – Mas a principal reclamação é referente à segurança das crianças e moradores da região, já que o prédio tem sido alvo da invasão de marginais, inclusive usuários de drogas. O que será feito emergencialmente?

Dulcina – Emergencialmente também estamos tentando resolver. Resgatei um processo que ainda não tinha sido assinado, e o prefeito se prontificou a assinar, que é um esquema de segurança completo, de videomonitoramento, com câmeras e alarmes, para todas as escolas. Esse é o emergencial e vai acontecer a curto prazo, pois já está tudo pronto, mas ainda falta licitar. As invasões nas escolas estão sendo grandes, mas as ocorrências na região da Vila Santana são baixíssimas, a maior incidência é na zona norte. As escolas já contam com a equipe de profissionais boa também, quando as crianças estão no parque, elas nunca estão sozinhas, estão com os professores ou auxiliares de educação, para assegurar que sejam bem cuidadas, tanto internamente quanto no espaço externo. A longo prazo teremos a implantação do programa pedagógico, com o envolvimento da comunidade, para a valorização da escola. Porque se houver essa valorização, ela será cuidada e evitaremos que ela seja depredada ou invadida.

Fonte: Notícia publicada na edição de 16/01/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 9 do caderno A