Tags

, ,

Quando falamos de abertura de dados e do uso de dados abertos, costuma ganhar destaque no debate a atuação de governos e desenvolvedores. Mas, cada vez se faz mais presente neste processo a figura do jornalista de dados. Afinal, a informação é a matéria-prima do trabalho do jornalista. E garantir sua difusão é dever deste profissional.

Cabe ao jornalista de dados, portanto, encontrar dados, “entrevistar” esses dados e trabalhá-los de forma a potencializar o uso e alcance das informações, por meio de cruzamento e da geração de visualizações que facilitam a compreensão daquilo que se pretende mostrar. Também é interessante que os profissionais busquem maior integração com desenvolvedores, participando de Hackathon e grupos Meetup, como o Hacks/Hackers 

E foi sobre isso que conversamos com dois jornalistas de dados que participaram do Decoders durante a 4ª Conferência Web.br. A Marina Atoji falou das atividades do Hacks/Hackers, que busca promover uma conversa entre jornalistas e desenvolvedores, e das frentes de atuação da Abraji, que engloba a luta pelo acesso à informação pública e a reportagem assistida pelo computador: “Os dados abertos são uma ferramenta para se fazer jornalismo; uma ferramenta muito importante, também, para promover novas informações, divulgar o que precisa ser divulgado”.

“O pessoal começou a perceber que entrevistar dados era mais fácil e rendia mais coisas do que entrevistar pessoas. E um dos nossos fundadores e diretores, o José Roberto de Toledo, é especialista em reportagem assistida pelo computador e em usar dados para fazer reportagens. Então ele foi introduzindo isso pra gente também no Brasil. A gente adotou a ideia e, agora, nesses últimos 5 anos, a gente pode observar que há uma demanda maior nas redações para se usar isso, para elaborar reportagens e produtos multimídia, porque está ficando muito forte essa coisa de conversar o impresso com internet e vídeos; e dados abertos possibilita a você gerar visualizações, fazer coisas mais dinâmicas do que simplesmente um texto”.

Segundo ela, os jornalistas de dados no Brasil ainda precisam lidar com as dificuldades de se conseguir informações públicas em formatos abertos, já que muitas vêm “em formato fechado, ou em .PDF ou em algum formato que te impossibilita de fazer análises. E, estando impossibilitado de fazer análise, isso te impossibilita de fazer jornalismo”.

Já o Gustavo Faleiros diz que os dados abertos são parte essencial de seu trabalho: “Eu comecei a usar mais dados em função do trabalho que eu já tenho feito há alguns anos de reportar sobre questões ambientais usando imagens de satélite ou dados abertos sobre desmatamento, focos de calor captados por satélite também. Então, sem me chamar um “jornalista de dados” eu acabei entrando nesse campo, porque eu usei muito e descobri o poder de usar essas imagens, imagens de satélite disponíveis no site do governo brasileiro, na Nasa, para comunicar o meu tema principal, que é o meio ambiente”

Para ele, a visualização da análise dos dados é um ponto importante no processo de construção de reportagens. “ Na minha opinião, não há dúvida de que essas grandes bases de dados são melhor interpretadas quando são visualizadas. É o começo de um processo que a gente vai ter sempre que fazer: aprurar, checar, ouvir o outro lado. Mas, o começo é esse”.

Gustavo falou também da experiência de organizar um Hackathon de dados abertos durante a Web.br e destacou a importância de se reunir profissionais de diferentes áreas neste trabalho:

“Um ponto que eu acho central é trazer a cultura de times multidisciplinares para dentro das redações ou dos ambientes de trabalhos jornalísticos. Não é só um jornalista que vai conseguir lidar com esse tema de dados abertos ou de grandes bases de dados. Para melhorar a qualidade da informação, para melhorar o jornalismo, a gente precisa trazer mais programadores para dentro das redações e não para uma função auxiliar de montar um site ou ficar como um helpdesk… é não separar o trabalho. Os programadores têm que estar no workflow do jornalismo, a partir da concepção de uma história, a partir do momento em que a gente precisa investigar uma base de dados, o programador é essencial. E a outra parte nessa equação é o pessoal do front-end. Então, montar esses times multidisciplinares dentro das redações só vai melhorar a qualidade da informação”.

Para saber mais, vale a pena ver:

Anúncios