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Os quatro candidatos a prefeito de Sorocaba – Raul Marcelo (Psol), Iara Bernardi (PT), Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) e Renato Amary (PMDB) – assinaram ontem à noite o “Pacto pela Juventude”, documento elaborado pelo Conselho Municipal do Jovem que contém nove itens de políticas públicas para este segmento da sociedade com idade entre 15 e 29 anos.

 

“É uma forma que nós temos de cobrar àquele que for eleito, para que de fato promova as políticas de juventude, mas da perspectiva do jovem como sujeito de direito”, disse o presidente do Conselho, Wellington Santos. Ele não quer que as políticas considerem o jovem como causador de problemas, mas que elas possam melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

O “Pacto pela Juventude” quer garantias de educação de qualidade, de trabalho decente para a juventude e de promoções à saúde integral, ao direito à comunicação e ao acesso à cultura, espaço e lazer e tempo livre. Além disso, quer políticas públicas que previnam e enfrentem a violência e fortaleçam os canais de participação democrática.

Wellington Santos deixou claro que, assim que um dos quatro candidatos for eleito, um dos compromissos do Conselho Municipal do Jovem será se reunir com ele: “Uma das primeiras ações que o Conselho vai ter é se reunir com o prefeito ou a prefeita para colocar na mesa o Pacto pela Juventude e, a partir do pacto, nós começarmos a elaborar então as ações e políticas de juventude no município de Sorocaba.”

Debate: O Pacto foi assinado pelos candidatos durante debate com a participação de uma plateia de 250 pessoas (segundo avaliação do Conselho) no auditório da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), mantenedora do jornal Cruzeiro do Sul.

O Conselho agradeceu à FUA a cessão do espaço do auditório para a realização do encontro. Estavam presentes estudantes de escolas como Aggêo Pires do Amaral, Achilles de Almeida, Flávio de Souza Nogueira, Genésio Machado e Getúlio Vargas.

O formato de perguntas e respostas foi o de uma sabatina com a apresentação dos candidatos um de cada vez.

O primeiro a falar foi Pannunzio, seguido de Amary, depois Raul e, encerrando o encontro, Iara. Os quatro candidatos se posicionaram contra um projeto hipotético que, simulando uma situação real, teria sido aprovado pela Câmara com a determinação de toque de recolher após 22h para os jovens e o objetivo seria contribuir para reduzir a criminalidade. Dentro da simulação, o mediador Rafael Vigentin levou em conta que o tempo seria agosto de 2013 e um deles seria o prefeito.

“A Câmara não pode apresentar um projeto como esse, porque é inconstitucional”, disse Pannunzio, criticando a medida por ela ser “cerceadora da liberdade”. Amary afirmou que um projeto dessa natureza não é competêrncia da Câmara e, por esta razão, ele nasceria “morto”, e o vetaria por duas razões: “O direito de ir e vir, e é inconstitucional”.

Raul disse que trabalharia junto à Câmara para que o projeto não fosse aprovado e, se mesmo assim ele passasse pelo plenário, iria rejeitá-lo: “Não podemos transformar os problemas sociais em caso de polícia.” Iara também não gostou dessa lei por considerar que ela coloca o jovem como cidadão de problemas e responsável pela criminalidade: “O jovem com a família tem que saber até que horas ficaria fora de casa.” E acredita que os jovens da periferia seriam os que estariam expostos à repressão no cumprimento da lei.

Promessas: Perguntas diferenciadas para cada candidato partiram da plateia. Uma delas perguntou a Raul se ele vai manter o carnaval de rua, caso seja eleito. E ele: “Vamos dar todo incentivo, inclusive para que ele (carnaval) floresça ainda mais em nossa cidade.” Para Amary, a pergunta foi sobre o seu plano de governo para o usuário e o traficante de drogas. Ele começou por dizer que o traficante é um criminoso e o usuário é uma vítima, e prometeu trabalhar para ampliar o programa do Proerd da Polícia Militar para o combate às drogas: “Nós vamos agir de forma muito profunda e séria.”

Pannunzio disse que quase a totalidade do texto do Pacto da Juventude consta das suas diretrizes de governo e afirmou que na sua eventual administração “os jovens não serão apenas auxiliares, os jovens estarão juntos do governo”. Para ampliar o acesso da juventude à cultura, Iara se comprometeu a trabalhar para oferecer o apoio institucional da Prefeitura a todas as manifestações culturais da cidade, o que inclui movimentos de hip-hop e as bandas de rock, e não o jovem como aquele que é, por exemplo, o principal de uma etapa problemática.

Fonte: Notícia publicada na edição de 01/09/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 008 do caderno A 

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