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Francisco Matelli Matulovic, de 24 anos, concluiu seu curso de Administração Pública em 2010 com um trabalho de conclusão de curso em mãos e um diploma no bolso. Era pouco. Nascido em Itapetininga, no interior de São Paulo, Matelli queria ver seu projeto em atividade. A maratona hacker do Estadão, que reúne profissionais de diversas áreas com o propósito de tirar ideias do papel, era a oportunidade ideal.

“O Hackatão é a primeira vez que estou tentando colocar esse projeto em teste. Quero ver se minha ideia é só uma viagem mesmo ou se pode se tornar algo real”, afirmou Matelli.

Seu trabalho tomou por base um anterior, de autoria do seu orientador, o professor doutor Valdemir Aparecido Pires, que reuniu toda legislação já criada sobre disponibilização de documentos público à população pelas prefeituras, resultando no transparência orçamentária municipal (TOM). Somando isso à Lei Capibaribe, a Lei de Transparência (nº131), aprovada em 2009, Matelli decidiu criar uma escala que pudesse medir a transparência online por município. É o e-TOM.

Essa escala que eu criei, com base nesse trabalho, tenta transformar uma linguagem que era restrita ao meio tecnico a uma linguagem acessivel ao cidadao comum.

Em uma primeira etapa, um grupo de voluntários está completando um formulário (criado por um dos programadores presentes na maratona hacker) com os dados que eles conseguem obter, ou não, dos sites de transparência e da prefeitura das 26 capitais do País. A partir da nota, deve-se criar um site com o ranking e a avaliação final de cada município.

No seu TCC, o estudante formado pela Unesp de Araraquara avaliou o caso da cidade de São Carlos, no interior de São Paulo, que tirou 58 em uma escala que ai de 0 a 100. “A ideia desse projeto é criar um índice universal, que possa ser utilizado em qualquer prefeitura, de qualquer porte”, diz Francisco Matelli. “O Hackatão é importante para dar visibilidade a esse tema.”

“Quero chamar a atenção da sociedade para pressionar o governo. Não espero que uma prefeitura que obteve nota 40 na escala pule para uma nota 100 amanhã”, explica. “Mas a esperança é que com essa ferramenta, a comunidade possa pressionar os políticos da sua cidade e melhorar esse índice com o tempo.”

Os tópicos da avaliação são planejamento orçamentário, execução orçamentária, compras públicas, usabilidade do site e recursos para interação com o usuário.

“Aqui é um ambiente com várias pessoas tentando ajudar. Um projeto pequeno ganha um potencial gigantesco para crescer. A gente está aqui regando uma sementinha que na terra ninguém vê, mas que pode virar uma mudinha de uma árvore bacana.”

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