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Já é raro as pessoas lembrarem em que vereador votaram na última eleição. Acompanhar seu desempenho na Câmara, como os projetos propostos, mais raro ainda.  Mesmo para os interessados, essa tarefa não é fácil: muitos dados não estão disponíveis; outros não estão categorizados, dificultando a busca, ou encontram-se em uma linguagem pouco acessível. Mas, afinal, entre esse emaranhado de leis, projetos e informações, é possível encontrar onde é que o meu voto foi parar?

A ideia foi dos colegas Raphael Silvestre Molesim e Jonas Abreu, que haviam participado anteriormente de um projeto na Câmara chamado “Contas Refeitas” – que eles consideraram mal-sucedido. “Queríamos fazer com que as pessoas se envolvessem com política de alguma forma. O vocabulário nessa área é muito difícil de entender e o conteúdo,  muito extenso; as pessoas acabam desistindo”, diz Raphael. “Pensamos: e se a gente conseguisse categorizar os projetos de lei para as pessoas terem uma visão, ainda que superficial, do vereador em que votaram? Será que ele propôs mais projetos para mudar nome de rua ou para melhorar a educação?”, questiona.

A proposta do projeto “Para onde foi o meu voto?” é criar um sistema no qual o usuário possa inserir o nome do vereador de São Paulo no qual votou, obtendo, a partir daí, um histórico do político com os projetos de lei que ele propôs na Câmara. A ideia é, posteriormente, também disponibilizar os projetos nos quais ele votou, bem como seu índice de presença nas reuniões da Câmara. “Queremos mostrar a responsabilidade do voto do cidadão na Câmara, como o voto dele foi aproveitado”, diz Wesley Seidel, um dos participantes do trabalho.

Para isso, além de trabalhar com algoritmos de classificação, também era necessário ler os projetos de lei e agrupá-los em categorias. Antes do Hackatão, o grupo de amigos já haviam classificado cerca de 180, mas queriam estender esse número. Aí é que entrou a colaboração entre diferentes áreas: jornalistas e designers ajudaram com a leitura e classificação de textos, além de pensar em como organizar os rankings e disponibilizar as informações.Além disso, o grupo teve que preparar bases manuais de dados de funcionários do gabinete dos vereadores, uma vez que essas informações não estavam disponíveis. “Em casos assim, temos que trabalhar com a legislação. Quanto esses funcionários tem que ganhar por lei?”, explica Wesley.

Entre reuniões e post-its
Um círculo de pessoas em puffs em frente a um cartaz de post-its: era mais uma reunião do projeto “Para onde foi o meu voto?”. O grupo se destacou no Hackatão por sua metodologia de trabalho: faziam reuniões curtas e periódicas (primeiramente em intervalos de quatro horas, que passaram a duas e, no final, a uma hora), no qual conversavam, dividiam as tarefas e atualizavam o cartaz, dividido em três partes – to do (a fazer), doing (fazendo) e done (feito).

“O objetivo desse modelo é manter a equipe em comunicação para dar feedback e realinhar os objetivos, reavaliando constantemente o que é prioridade”, explica. E o quadro? “Chama-se Kan-Ban, e é um método utilizado pela Toyota. Ele permite agenciamento de tarefa e uma gestão visual de organização”, diz.

Ele exemplifica a importância de reavaliar os objetivos, o que às vezes gera mudanças de prioridade na programação: “No começo, uma prioridade era conectar o projeto com Twitter e Facebook. Após essas reuniões, vimos que havia coisa mais importante para ser feita primeiro e deixamos isso de lado”.

O grupo pretende dar continuidade ao projeto, deixando-o cada vez mais completo. “Uma coisa importante que ainda não foi feita é colocar não só os projetos propostos pelo vereador, mas nos quais ele votou. Conseguimos essa base de dados muito tarde, então não vai dar para colocar isso hoje. Mas vamos continuar”, diz.