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Ruas que eram asfaltadas e hoje têm aparência de vias de terra; calçadas afundadas por máquinas pesadas; buracos em frente às garagens das casas e nas calçadas.

Todo esse cenário pode ser visto no Jardim Gutierres, desde que, há cerca de sete meses, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) contratou uma empreiteira para realizar obras de drenagem e de contenção de enchentes naquela região da cidade.
“Nós queremos que a obra seja feita, mas não da maneira como vem sendo conduzida”, afirma o gerente de atuação ao cliente João Alves da Silva, 50 anos, que não pôde entrar com o carro na sua garagem na noite de terça-feira (17), por existir uma grande cratera e uma tubulação de concreto em frente ao seu portão.
O Saae se posicionou, por meio de nota de imprensa, revelando que já notificou a empreiteira responsável pela execução da obra – Engesec Construções, de São Paulo – sobre alguns problemas encontrados nas obras e ainda irá solicitar para que a empresa regularize todas as situações reclamadas pelos residentes no bairro.

Para encontrar os problemas causados pelas obras e ouvir reclamações dos moradores, bastou a reportagem dar uma simples caminhada por um quarteirão do bairro, que compreende as ruas Joaquim Scherepel, Robina Cacielo Decaria e Emília Volpe Decaria.

Era possível encontrar remendos recentes no asfalto que já apresentam afundamentos, calçadas cheias de trincas, além de muita poeira, em locais que ainda não receberam a massa asfáltica necessária para a reparação de buracos deixados pelas obras. “Na frente da minha casa – na rua Joaquim Scherepel -, eles abriram um buraco há sete meses e só asfaltaram perto do Natal, no dia 23 de dezembro”, relata a empresária Rita Ramos, 42.

Em frente à casa de Rita mora a dona de casa Dora Vaini, 50, indignada com a forma com que os trabalhadores conduziam as obras no bairro. “Eles fizeram a massa de cimento em cima da minha calçada e deixaram a toda a sujeira aqui. Além disso, minha calçada está afundada, pois eles colocaram uma máquina superpesada aqui em cima”, diz ela.

O problema da poeira originada das obras causou problemas ao supermercado de Emerson Leonor, 28, que fica na rua Vicente Decaria. “Durante um mês os produtos ficaram cheios de pó e alguns clientes chegavam a reclamar”, conta o comerciante.
De acordo com ele, a clientela também diminuiu ao longo de um período em que o estacionamento do supermercado ficou inutilizável, já que havia crateras abertas bem em frente do local.

Mas não foi só no supermercado que os carros não podiam ser estacionados, como afirma João Alves da Silva. “Eu tive que deixar o veículo na rua porque a construtora não conseguiu fechar o buraco. É uma grande sacanagem o que eles fizeram”, diz, revoltado com toda a situação vivida pelos moradores do bairro.

Problemas notificados

De acordo com o Saae, uma equipe de fiscalização da autarquia esteve no local das obras nos dias 16 e 17 e encontrou alguns pontos, considerados como críticos na execução das redes pluviais do bairro, exigindo providências imediatas.

O Saae citou, em um relatório enviado à empresa Enegesec na tarde de ontem, a falta de sinalização prévia ao local das obras, prejudicando o trânsito; a sujeira reclamada pelos munícipes, que a autarquia afirma ter feito diversas solicitações à empresa para que tomasse alguma providência; notificaram sobre o terreno onde estão sendo depositados os materiais resultantes de escavações, na rua Joaquim Scherepel, que já está cheio de entulho e deve ser limpo com rapidez; e cobraram uma providência sobre alguns rompimentos das redes de distribuição de água tratada, o que demanda atendimento imediato das equipes de manutenção da autarquia.

Além dessas questões levantadas pelo Saae, o setor de fiscalização da autarquia também citou o caso de João Alves da Silva, que não pôde estacionar seu carro dentro da garagem de sua residência.

No relatório, o Saae relata que “por diversas vezes solicitamos ao engenheiro responsável pelas obras que somente fossem deixadas valas abertas em casos excepcionais, e que caso isto ocorresse, o acesso aos imóveis afetados deveria ser garantido com a utilização de chapas metálicas, que constam na planilha de serviços da obra”.
Com isso, a autarquia exigiu o aterro imediato da vala. Todos esses problemas deverão ser resolvidos pela empreiteira, segundo o relatório do Saae, senão serão aplicadas penalidades.
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