Com quase 245 mil veículos, Sorocaba dá sinais de complicações no trânsito: percursos de até 20 minutos chegam a passar dos 40 atualmente. Por isso, o BOM DIA procurou o secretário de Transportes e Presidente da Urbes, Renato Gianolla, para entender a situação e buscar soluções.
BOM DIA: De uma maneira geral, o que acha do trânsito da cidade?
Renato Gianolla: De uma maneira geral, o trânsito é semelhante a qualquer cidade deste porte e que tenha a pujância econômica que Sorocaba tem.
O trânsito das cidades hoje refletem a política de governo, que é também uma política de inclusão social no sentido de dar carro para pessoas que não têm carro.
Acho sim que estamos caminhando para ter muitos veículos e poucas vias, mas não diferente das cidades do mesmo porte.
Há muitos carros, de fato, para as vias da cidade. Inclusive, as ruas mais utilizadas costumam ser as mais estreitas, pois são antigas e dão acesso a áreas mais procuradas: a cidade cresceu e algumas ruas continuam da mesma forma. Isso também é válido nesta questão?
Tive um professor na época da universidade que falava ‘nós temos um modelo americano de tamanho de veículos e um espaço viário europeu’.
E isso cria sim um problema. E a solução para isso só pode passar pelo coletivo em detrimento do individual.
Isso, não tenha dúvida. Então estamos no caminho certo ao investir no transporte coletivo urbano.
Recebemos muitas reclamações no jornal sobre a forma do sorocabano dirigir, que ele não dá seta, não lê placas. A partir de todo o trabalho feito pela Urbes, inclusive de educação no trânsito, avalia que os moradores respeitam a legislação de trânsito?
O sorocabano não é diferente de qualquer um das cidades do mesmo porte. Os motoristas que sabem trafegar com mais ‘malícia’ são os das grandes metrópoles. Por exemplo, a malícia e a paciência de quem usa São Paulo o tempo todo é diferente, ele busca rotas alternativas e sabe se comportar num trânsito muito pesado.
Sorocaba está passando de uma cidade média para uma cidade grande e esta transformação violenta traz algumas atitudes inadequadas assim como muitos motoristas novos, a facilidade de ter carro, enfim.
E tem que se fazer alguma coisa para que o Código Nacional de Trânsito seja atualizado, acho que a legislação e a educação no trânsito têm que ser rigorosa.
Com a inauguração do Shopping Pátio Cianê, na região central, prevista para o final deste ano, poderá complicar ainda mais a situação em algumas vias?
Não tenha dúvida que pólo gerador (é onde você atrai demanda de pessoas, veículos e do transporte público) é um problema.
Mas, claro que não iremos contra a instalação, pois gera demanda de carros, mas gera riqueza, gera emprego, gera melhorias para cidade, mas claro que isso tudo tem que ser sustentável, que é o caso de shoppings.
Há algumas preocupações e medidas mitigadoras (que previnem impactos negativos) para que não haja acúmulo de veículos nas vias, agravando mais a situação.
Agora vamos falar de soluções. Se fosse possível pensar numa situação a curto prazo, imediata, para aliviar essa situação, o que recomendaria?
Se eu tivesse o poder mágico de transformar as pessoas – que na verdade é um processo educacional que ninguém vai conseguir além da própria sociedade – eu faria que no cotidiano as pessoas deixassem o carro em casa e usassem o transporte coletivo e conseguir que o transporte público melhorasse muito para que as pessoas se sentissem atraídas a deixar seu carro em casa pelo menos em algumas horas do dia.
Ainda tem essa cultura de achar que você só tem status se tiver um bom carro. Nas grandes cidades, as pessoas deixam o carro casa e andam de metrô, por exemplo.
Mas aqui, enquanto a pessoa conseguir se locomover em algum horário do dia, ela vai optar pelo carro. Isso só vai mudar quando não der mais para se locomover e o trânsito travar.
Muitos sorocabanos aprenderam a utilizar rotas alternativas, se não o trânsito estaria pior.
Acredito que não chegou a hora de restringir a circulação de veículos por placa ainda, mas em breve esta hora vai chegar: de restringir 25% para que os outros 75% consiga andar.