Algumas medidas para que seja possível a criação da TV Pública Nacional devem ser enviadas ao Congresso por meio Medida Provisória dentro de no máximo 60 dias. A afirmação é do ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, responsável no governo pela coordenação das discussões sobre a criação da TV, que justificou a metodologia afirmando que uma MP deve agilizar o processo. São medidas que estabelecem mudanças na legislação (inclusive para fundir a Radiobrás, que é uma empresa criada por lei, com a Fundação Roquete Pinto, que é uma Organização Social com estatuto diferente).
Segundo o ministro, que participou da abertura do Fórum Nacional de TVs Públicas, o governo deve terminar as discussões sobre os diversos pontos do modelo nos próximos 15 dias. Este prazo foi ampliado inclusive para permitir a chegada das conclusões do Fórum, que vem sendo coordenado pelo Ministério da Cultura desde setembro de 2006. A urgência, segundo o ministro, é para permitir que o sinal da nova rede, já digital, entre em São Paulo no dia 2 de dezembro, ao mesmo tempo em que as redes comerciais.
Franklin Martins reforçou aos presentes – na grande maioria profissionais de TVs estatais, educativas, comunitárias e universitárias – o interesse do governo de ouvir todos os segmentos que pertencem ao campo da TV pública a respeito da criação da nova rede, inclusive para avaliar as possibilidade de futuras parcerias ou até mesmo integração à rede. Franklin Martins abordou rapidamente três pontos que considerou abertos para a discussão no próprio Fórum:
* o modelo de gestão – que tire do Palácio (“de qualquer palácio”) o centro das decisões sobre a televisão. Isto se daria, segundo o ministro, por meio da criação de conselhos não muito grandes, para que sejam “representativos e ao mesmo tempo operacionais”;
* o financiamento – que permita à TV pública independência, até mesmo em relação ao próprio orçamento do governo. Para Frnaklin Martins, “o melhor modelo de gestão do mundo não resolve, caso não haja alguma independência financeira”. Entre as opções citadas pelo ministro, além da dotação orçamentária, estão a prestação de serviços, as doações e o patrocínio. Contudo, ele diz que o modelo de inserção publicitária desvirtuaria o caráter de TV pública;
* e o processo de construção da rede – que vai exigir muita negociação e a consciência de que “não está escrito nas estrelas que vai ser um sucesso. Ou seja, vai exigir muito dedicação na busca de valorizar as grandes convergências e minimizar as pequenas divergências”.
Parcerias
A idéia do governo é ter parcerias nos estados, inclusive para trazer à rede nacional o conteúdo regional destas emissoras. “Algumas tevês regionais tem excelentes exemplos de programação que não são divulgadas em todo o país”, afirmou o ministro. Ao mesmo tempo, o governo federal pretende encontrar formas de ajudar estas emissoras a fazer o processo de transição digital. Para que isso aconteça, as emissoras estaduais deverão adotar o mesmo modelo de gestão da TV nacional. Se isso não acontecer, evidentemente que o governo terá um canal retransmissor da Rede Nacional nas principais cidades daquele estado. O financiamento da transição destas emissoras ainda não foi fechado. Segundo o ministro, o BNDES pode ser uma opção, mas não é a única.
Produção independente
Mais de uma vez o ministro ressaltou a importância da produção independente na grade da TV Pública. Segundo ele, a nova emissora deve ter de quatro a cinco horas para a veiculação de produção independente na rede nacional. Além disso, Franklin Martins diz que deve ser criado um fundo para financiar a produção independente. Todavia, não explicou se será um fundo específico para as produções para a nova TV, ou o próprio Fundo Setorial do Audiovisual.
Programação eclética
A idéia do governo federal (que de acordo com o Decreto de implementação da TV digital terá pelo menos quatro canais disponíveis na TV digital) é constituir um primeiro canal, que será um canal geral, não especializado, que terá jornalismo, educação, cultura, cidadania, programação infantil, filmes, entre outros tipos de programas. No segundo momento, será planejado à parte o canal da educação. “Mas isso será feito aos poucos. Pode levar dois, três ou quadro anos. E só depois disso é que serão constituídos os demais canais. Não temos bala na agulha para produzir quatro canais imediatamente”, avisa Franklin Martins.
Fonte: Redação PAY-TV