Anatel prorroga prazo da consulta sobre compartilhamento de infra-estrutura

4, Maio,2007

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prorrogou para o dia 25 de maio o prazo para apresentação de comentários à Consulta Pública n.º 776 – conjunta Anatel/Aneel, que propõe metodologia para o cálculo do preço de referência para os contratos de compartilhamento de infra-estrutura entre os setores de Energia Elétrica e de Telecomunicações. As duas agências buscaram desenvolver um modelo de precificação dos ativos compartilhados, ou seja, os postes, utilizando estudos realizados pela Universidade de São Paulo /Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica e pela Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA)/Fundação Getúlio Vargas. Devido à relevância e abrangência do assunto, e às solicitações encaminhadas pela Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas, pela Associação de Empresas Proprietárias de Infra-Estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações e pela Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado, a prorrogação foi aprovada por meio do circuito deliberativo do Conselho Diretor da Anatel. As contribuições poderão ser enviadas pelo formulário eletrônico do Sistema Interativo de Acompanhamento de Consulta Pública (SACP), disponível no portal da agência, até as 24h do dia 25 de maio. Também serão consideradas as manifestações encaminhadas por carta, fax ou e-mail até as 18h.

(Fonte: assessoria deimprensa, Anatel)


WiMax + TV Digital: ou o difícil percurso de uma política de inclusão no Brasil

4, Maio,2007

Há alguns dias a ANATEL teve frustrado seu leilão das faixas de freqüência destinadas ao WiMax em todo o Brasil, a mais recente e inovadora tecnologia sem-fio para serviços digitais. O leilão está suspenso em virtude de diversas incongruências encontradas no edital (até então considerado “perfeito” pelos consultores da agência reguladora), sendo uma delas o valor inicial extremamente irrisório (R$ 655,71) para os interessados em oferecer serviços por 15 anos na cidade de Ribeirão Preto, importante pólo paulista com mais de 500 mil habitantes.

Tecnocracias à parte, o que fica claro no edital publicado pela Agência Nacional de Telecomunicações – órgão regulador independente do Governo Federal – é a crença cega na capacidade de, por si só, o mercado suprir as necessidades de todas as camadas da população, sem regulamentações rígidas que garantam a qualidade e o atendimento de demandas sociais. Com exceção da telefonia fixa, que “herdou” cláusulas sociais do sistema ainda vigente antes da privatização das telecomunicações da década de 90 (como a manutenção de orelhões e a universalização da oferta dos serviços), as concessões para a telefonia celular e Internet nunca careceram da mesma preocupação, já que a auto-regulamentação do mercado terminaria por “naturalmente” incluir todas os níveis sociais, transformando cada cidadão em um cliente capaz de comprar serviços de acordo com a demanda de sua classe.

A ANATEL e outras agências ainda acreditam neste modelo auto-regulatório, mesmo com indicações claras de que isto não ocorre na prática, seja porque qualquer processo de inclusão é mais complexo do que uma simples questão de demanda; seja porque o lucro, verdadeira e única ideologia do capitalismo, não assume riscos desnecessários. A universalização do sistema significa o aumento da base de clientes, com muito mais investimentos e diminuição do lucro per-capita. O mercado real prefere manter uma base potencial de clientes pequena, onde os grandes investimentos possam ser amortizados rapidamente por meio do monopólio e do aumento do custo por usuário.

É claro que às vezes a auto-regulamentação parece funcionar ao atender grande parte da demanda social. Porém, o aumento no uso de celulares através do sistema pré-pago e a queda no custo da internet de banda-larga em alguns estados não deve ser visto como prova de mérito, já que ainda estamos longe de um modelo sustentável que garanta a universalização dos serviços. Além do mais, garantir a oferta não é a mesma coisa que garantir ao cidadão a posse e o uso da tecnologia a preços justos e com qualidade.

A licitação ora suspensa não exige das concessionárias nenhum compromisso com a universalização (podendo estas, inclusive, permanecer 10 anos sem oferecer qualquer serviço na freqüência que adquiriu). Escolas públicas e regiões com baixa densidade demográfica, por exemplo, tendem a ficar excluídas do acesso a esta tecnologia.

O Ministério das Comunicações tenta às pressas formalizar uma política mínima de inclusão digital ao inserir “quotas sociais” para tais concessões da WiMax, garantindo a universalização e desonerando serviços públicos essenciais, como a educação. Curiosamente é exatamente a falta de uma política de longo prazo para a área que permite a ANATEL ter autonomia para definir e aplicar o modelo de concessão que lhe convém, mesmo que ele esteja muito aquém dos objetivos do governo do momento.

Há, no entanto, um ponto ainda mais crítico, pois, a meu ver, garantir a universalização e dar caráter social ao WiMax tem influência direta no modelo de TV Digital adotado pelo Brasil em junho deste ano.

O SBTVD-I terá quatro características fundamentais: alta qualidade de som e imagem, baixo custo para o usuário, mobilidade e interatividade. Para que ocorra a interatividade é necessário o canal de retorno, uma estrutura que garanta o link entre o usuário e a emissora. Este link pode ser uma linha telefônica ou um serviço de banda-larga. O objetivo do governo de universalizar a TV Digital nos próximos 10 anos passa necessariamente pela oferta de serviços de banda-larga gratuita ou de baixo-custo em todo o território nacional. A universalização do WiMax através da adoção das quotas sociais com certeza ajudaria o governo no cumprimento de suas próprias metas.

Não sei com certeza se são estes os objetivos ocultos por traz dos últimos embates entre o Ministério das Comunicações e a ANATEL, no entanto várias vezes o atual governo deixou claro seu desejo de transformar a TV em um instrumento de inclusão digital, aproveitando-se da grande penetração deste meio de comunicação na sociedade brasileira.

No Brasil a regulamentação dos setores de telefonia (voz e dados) e de telecomunicação (TV, rádio, etc…) são diferenciados, isto torna a convergência um processo político complicado, onde a (falsa) dicotomia entre universalização e sustentabilidade, acima apresentada, é apenas uma parte do debate.
Por Jaime Balbino em http://www.dicas-l.com.br


Consulta pública sobre PLC deve acontecer este ano

4, Maio,2007

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) deve submeter a consulta pública, ainda neste ano, seu parecer sobre o PLC (Power Line Communications), ou seja, transmissão de dados em alta velocidade pela rede elétrica. O documento norteará a regulamentação definitiva, a ser anunciada possivelmente no primeiro trimestre de 2008.

Em agosto próximo termina o prazo para a consultoria Fadepe (ligada à Universidade Federal de Juiz de Fora e contratada pela Aneel por licitação, em dezembro de 2006) entregar à agência uma minuta de resolução que será avaliada e revisada pelas áreas técnica e de regulação, visando a elaboração de um documento final, a ser apreciado pela diretoria da agência de energia. Depois, deve acontecer a consulta pública, ainda em 2007. Segundo Carlos Alberto Mattar, assessor da Superintendência de Regulação dos Serviços de Distribuição da Aneel, a agência tende a trabalhar em conjunto com a Anatel ao longo do processo.

“Não queremos ser pegos de surpresa, com o mercado saindo na frente da regulação. Hoje, a PLC está mais madura, há efetivamente maior interesse das concessionárias pela tecnologia e estamos mais próximos de uma homologação pela Anatel. Tais fatores, conjugados, nos deixam mais otimistas”, disse Mattar.

Maximiliano Salvadori Martinhão, gerente geral de certificação da Anatel, revelou que a agência já programou a realização de uma nova bateria de testes, mais detalhados, para medir a interferência do PLC em relação aos outros serviços de telecomunicação, em conjunto com a Aptel (Associação das Empresas Proprietárias de Infra-estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações). “Alguns equipamentos já foram certificados pela Anatel, mas nossa maior preocupação continua sendo essa possibilidade de interferência. Precisamos considerar que o uso de radiofreqüência no Brasil é diferente da Europa”, observa.

Fonte: Pay-TV News